“Uma casa com criança é sem dúvida muito mais cheia de vida.
A criança deixa “rastros’, mesmo que invisíveis, da sua adorável presença por onde passa.
Mas isso não quer dizer que a casa esteja sempre bagunçada.
Claro que você não precisa transformar todos os cômodos em um grande playground, mas é possível conviver com o universo da criança e a vida de adulto no mesmo ambiente.
Aqui em casa o Teo já tem 12 anos, mas desde bebê a regra era a mesma:
Decidimos não tirar nada nosso de circulação por causa dele e também não enchemos a sala de piscina de bolinhas ou coisa que o valha.
Ao invés disso, mesclamos os dois mundos.
Claro que os enfeites mais delicados e potencialmente perigosos foram para o alto, mas continuavam à vista.
Alguns deles ficaram acessíveis, e desconfio que isso até trouxe certa autonomia pro Teo, que desde cedo aprendeu que nem tudo é pra ele, e nem tudo pode.
Em contrapartida, brinquedos vieram pro convívio social:
Os mais bonitos, os de madeira, os presentes simbólicos de viagens dos avós, tudo que fazia sentido estar no meio da decoração e anda assim cumprir seu papel de brinquedo.
Fora isso nossa casa sempre foi muito divertida.
Nós mesmo gostamos de brinquedos de gente grande.
Robôs de lata, garimpos de viagem, cores e personalidade nas pequenas coisas misturadas ao universo do Teo.
O quarto de um menino de 12 anos já não é mais aquele que a mãe pode escolher tudo, mas juntos chegamos ao acordo das cores da parede, das coleções na prateleira, e tudo é negociado.
Pode grafitar o gaveteiro, mas não a parede.
Pode pregar pôster, mas não com pregos.
E assim vamos aprendendo a dividir esse lugar lindo que chamamos de lar.

P.s. Na decoração da casa, expomos o cavalinho de pano que ele costurou na escola, o boneco que tricô feito por ele que ele exibe com orgulho em cima da cama e até o ukulelê que estamos aprendendo juntos entrou pra decoração da sala”.

Por Estéfi Machado – designer, cenógrafa, fotógrafa, ilustradora e autora de “O livro da Estéfi”, da Cia das Letras