Conheci o quarto de Paulo Henrique, o PH, antes dele. Na verdade, em uma matéria feita recentemente para a Casa Cláudia (publicada na ed. de novembro), no apê de seus futuros pais, fui apresentada ao ambiente amplo de 14m2, ainda sem dono, iluminado por duas janelas com esquadrias antiguinhas de madeira dando para uma rua tranquila de Laranjeiras, no Rio. Na fila para adoção há vários anos, Gilberto e Rodrigo reformaram todo o apartamento já pensando que o segundo quarto não seria de hóspedes e, sim, de uma criança. Ainda desconheciam o sexo e a idade: mas definiram que o filho teria que ser capaz de manifestar, em viva voz, suas vontades.

E foi também de forma intuitiva, mas repleta de carinho, que eles montaram, em parceria com a arquiteta Barbara Filgueiras, cada detalhe do espaço, repleto de ideias práticas e bem resolvidas. O armário generoso e confortável foi feito para durar, os gavetões com fórmica lousa funcionam como um quadro negro divertido e a estante tem lugar de sobra para livros, objetos e brinquedos. Rodrigo, apaixonado por decoração e dono da Morabilidade, uma agência imobiliária das mais descoladas, participou de cada etapa do projeto e adora contar os capítulos dessa história tão emocionante.

– Há  tempos vínhamos pensando em como fazer um quarto infantil gostoso, confortável, sem ser excessivo ou temático. Tínhamos uma criança imaginária na cabeça. A ideia da lousa no armário e no fundo da estante foi bacana, porque traz doses de cor e estampa nas paredes brancas. O grafite era uma ideia antiga e encomendamos com o Wark, um artista de rua da Rocinha, mas o PH demorou uns três dias para enxergá-lo na parede. Era muita informação. Aos poucos, ele está digerindo – conta ele, que por muitos anos morou na China e nos Estados Unidos, acompanhando a trajetória de correspondente internacional de Gilberto. – Somos cidadãos do mundo. Se tivermos que nos mudar, o quarto vem junto.

Há cerca de dois meses, PH entrou de supetão na vida da dupla, vindo de um orfanato em Capelinha, no interior de Minas Gerais. Logo que chegou, se jogou na cama (Oppa), olhou para os lados e nem acreditou que esse universo todo tinha sido preparado exclusivamente para ele. Gilberto e Rodrigo documentaram tudo, se emocionaram (e emocionaram os amigos) e, agora, contam que a nova paixão do filho não é o grafite nem os carrinhos, mas a escada rolante dos shoppings. E os guarda-chuvas na rua.

– Fomos levá-lo para conhecer o mar, achando que ele ia ficar extasiado. Mas o que ele gostou mesmo foi de elevador, guarda-chuva e escada rolante. Tudo é novo e lúdico para ele – conta Gilberto.

Em tempo: PH já está matriculado na escolinha, ganhou uma mesinha de estudos, adora desenhar e se tornou, enfim, o dono do pedaço. Só Lilo, o gato de estimação, e Boo, o fofo Lulu da Pomerania, ainda estão estranhando o movimento… Mas em breve vão entender que a família, agora, está completa.

Amamos:

O grafite unissex e a lousa nas gavetas dos armários, indicando o que está guardado ali.

Mão na massa:

Forrar com lousa a parede ou outra superfície não é complicado: existem tintas no mercado que funcionam como uma. Basta pintar!

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2 comentários

  1. Andreza

    Acabei de ler uma nota sobre a família e fiz a pesquisa no Google e achei essa matéria. De fato é uma história linda, que inclui superação, busca e o principal o amor verdadeiro. Tenho certeza que o PH terá muito orgulho desses dois pais maravilhosos.

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