Na Estrada: Blue Voyage na Turquia

A fotógrafa FRIDA STERENBERG e o marido, Tolga, moram em Nova York com os dois filhos, Jan e Leo, de 14 e 11 anos. No verão passado, eles foram com a família desbravar o Mediterrâneo azul da TURQUIA, em um barco-casa que se transformou em sua relaxante moradia oficial por uma semana. Aventura das boas.

Fotos: Frida Sterenberg

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“A viagem de escuna pela costa mediterrânea da Turquia começou no porto de Fethiye, em direção à baía de Göcek. O circuito, uma das fantásticas opções de verão na Turquia e ilhas gregas, é conhecido como Blue Voyage. Éramos 2 famílias, 6 adultos e 4 garotos entre 10 e 16 anos. A equipe do barco, além do capitão e um ajudante, incluía o casal Bahanur e Memo com sua neném de seis meses, a pequena e já navegante Mavi Su (Água Azul).

Nossa escuna era confortável, mas sem qualquer sofisticação. Optamos por uma viagem relativamente simples, mais em conta e bem relax. Foi uma semana incrível, com todo tempo do mundo para não ter que decidir nada. Dormíamos ao relento no deck do barco, olhando as estrelas, porque era muito melhor do que dormir na cabine, que aliás nem usamos. Sem eletricidade e acesso à internet, e com apenas 2 horas por dia de gerador, praticamente não acessávamos os eletrônicos. Acordávamos e mergulhávamos direto naquela água azul turquesa, límpida e de temperatura perfeita. Depois tomávamos um café da manhã delicioso, preparado com capricho pela equipe que cuidava de todas as refeições.

A rotina era deliciosa: nadávamos, líamos, jogávamos e “la nave va” para um novo local, uma nova enseada. Às vezes, ficávamos direto onde passaríamos a noite, outras vezes eram paradas vespertinas, onde almoçávamos, explorávamos as águas e ilhas, para então seguirmos adiante. Além de muita natação, o barato da semana era explorar as ruínas e trilhas com que nos deparávamos. Alguns sítios pareciam cenografia de Star Wars em suas cores e formas. Outros, mais bucólicos, típicas aldeias mediterrâneas com pastores levando suas cabras pululantes para pastar, e seus sininhos ecoando ao longe.

A Turquia tem uma peculiaridade incrível: a gente pisa na história, literalmente. Em uma das enseadas em que passamos a noite tivemos um dos episódios mais marcantes da viagem. Debaixo d’água, nos deparamos com fragmentos  de alguma construção arquitetônica antiga. Aquela parte da ilha era praticamente inabitada, salvo um senhor que montou um restaurante muito simples, rodeado de árvores frutíferas da região: romãs, oliveiras e figueiras. E, na beira da água, perto de onde nosso barco havia pernoitado, com nossos snorkles afivelados ao rosto, começamos a investigar uma área cheia de pedras. Pareciam restos de uma avalanche ou terremoto.  Começamos a montar um quebra-cabeças, estávamos muito animados com nossa descoberta arqueológica – ainda mais que não havia na ilha nenhuma referência histórica, nenhuma menção. Foi muito curioso e intrigante. No fim, retornamos tudo ao mar e seguimos navegando.

Outro local que nos aventuramos chama-se Gemiler Island. Perto de onde nosso barco ancorou, vimos algumas ruínas e resolvemos subir a montanha. Eram ruínas do século VI, um monastério bizantino de pedras com um corredor processional coberto que ia da parte baixa da ilha ao topo, até uma igreja. Percorremos trechos com  pedaços de mosaicos espalhados pelo chão. Quase nenhuma informação estava disponível. Algumas áreas estavam cercadas e placas indicavam que arqueólogos japoneses estão estudando o local. Verdade que, à princípio, achávamos que estávamos num local quase inexplorado mas, ao atingirmos o topo da montanha, concluímos que apenas tínhamos escolhido a rota menos utilizada. No alto, esbarramos com um grupo de jovens ingleses que lá chegaram pelo outro lado, através de uma trilha estabelecida. Mas valeu a experiência. Afinal, é muito bom achar que se está explorando algo novo, mesmo que seja apenas uma breve ilusão…

Essa é uma viagem que vale muito a pena se fazer com a família e os amigos, especialmente para quem já conhece a Turquia. Para quem vai pela primeira vez, o ideal seria combinar o passeio de barco com uma estadia em Istambul, para ver um pouco mais do país e sua rica cultura”.

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